Eu, leitor, eu leitora
“E tinha a cabeça cheia deles”. Essa frase intitula um dos contos da escritora Marina Colasanti e diz de forma simples o que representam os momentos que antecedem o ato da escrita: o fervilhar como uma comichão que só cessa quando a mente pare o primeiro verso ou o primeiro parágrafo. Um puxa o outro como fazem os fios de uma teia de aranha ou mesmo de um bordado e, quando menos se espera, nasceu o rebento.
Tecer o texto com os fios da memória foi o que fizeram os quatorze escritores deste livro. Cada um, a seu tempo, abriu o baú guardado na mente e, novelo a novelo, transformou em escritas de si seus primeiros contatos com o livro, a leitura e, por fim, o mergulhar no calmo ou revolto mundo literário.
A literatura tem esse poder: o de nos deixar ser lidos ou nos permitir ler o outro. É bem verdade que essa escrita joga com as palavras e transforma o que é do outro em nosso, o que necessariamente não o é, mas bem que poderia ter sido. O encontro com as memórias reveladas aqui é uma prova de que nossas experiências se encruzilham e não se sabe se quem recorda somos nós ou eles, se já chegamos encantados ou se foram os relatos que nos enfeitiçaram.
Assim, este é, sobretudo, um convite à leitura dessas histórias de 14 professores e professoras que se encantaram pela literatura e resolveram partilhar conosco um punhado de suas trajetórias. Cada um e cada uma contam de modo próprio e diferente, como se deu seu encontro com os livros e as leituras. Conhecer essas histórias de vida e de leitura não só emociona como nos faz tentar recuperar nossa própria história como leitores e leitoras.
E mais: descobrir como a leitura pode transformar vidas nos leva a sentir esperança e a ver, nos livros e em outros tipos de canais de circulação de textos – de toda natureza, mas, em especial, os literários – um caminho possível para realizações pessoais, profissionais e emocionais que, no materialismo do mundo contemporâneo, pareceriam utopias se não tivéssemos essas leituras ao alcance de nossa mão.
O grupo, envolvido no Mestrado Profissional de Letras, do campus Itabaiana, da Universidade Federal de Sergipe, e em suas próprias atividades como docentes do Ensino Básico, oferece seus relatos como forma de compartilhar não apenas experiências de vida mas, e principalmente, exemplos desse poder transformador da leitura.
Deixem-se literariar







