Memória e identidade no Teatro Penedense: uma cronologia necessária
O livro “Memória e Identidade no Teatro Penedense: uma cronologia necessária”, escrito por Anderson Nunes França e Priscilla Calumbi de Andrade de Lima, é muito mais que um registro histórico. Ele é um gesto de cuidado, um ato de amor à cidade de Penedo e às artes cênicas que, ao longo dos séculos, ajudaram a formar identidades, sonhos e resistências.
Ao virar cada página, senti que não estava apenas lendo uma pesquisa, mas ouvindo vozes que ecoam do passado, artistas, músicos, dramaturgos, companhias inteiras que subiram ao palco do majestoso Theatro Sete de Setembro e de tantos outros espaços, formais ou improvisados. Vozes que, muitas vezes, corriam o risco de se perder no silêncio, e que agora encontram um lugar de reconhecimento e permanência.
A delicadeza dos autores em resgatar jornais, atas, fotografias e relatos não é apenas um trabalho acadêmico: é um ato de justiça. Justiça com a cidade, com seus artistas e com a própria história de Alagoas. O teatro, em Penedo, nunca foi apenas espetáculo; sempre foi resistência, encontro, festa, denúncia, identidade.
Ler este livro é sentir orgulho de uma cidade que respira cultura e que, reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa, mostra ao mundo a força de sua herança e a vitalidade de seu presente. É também ser lembrado de que a arte só cumpre plenamente seu papel quando é acessível a todos, e iniciativas como o audiolivro destinado à comunidade cega provam que este trabalho nasceu comprometido com a inclusão e a democratização da cultura.
Ao apresentar esta obra, abraço a certeza de que ela não apenas ilumina o passado, mas também inspira o futuro. Que novos grupos surjam, que novos artistas se reconheçam nessa história, que o povo de Penedo e de todo o Baixo São Francisco se veja refletido neste espelho cultural que Anderson e Priscilla tão generosamente nos oferecem.
Este livro é memória, é identidade, mas sobretudo é vida. E vida que pulsa em cada ensaio, em cada palco, em cada aplauso que ecoa e resiste.







