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Jesuítas nos sertões coloniais

O que define o “sertão”? Para o lexicógrafo Raphael Bluteau, em 1712, era o que se apartava do mar; para os missionários da Companhia de Jesus, era o espaço da alteridade, o território do “ainda não conquistado” e o horizonte das almas a serem colhidas. Esta obra convida o leitor a desbravar os sertões coloniais dos Impérios Ibéricos, não apenas como acidentes geográficos, mas como espaços construídos por tensões, alianças e uma vasta produção de saber.
Ao reunir investigações que cruzam fronteiras entre o Brasil, o Estado da Índia e a Nova Espanha, este livro lança um olhar renovado sobre as dinâmicas internas da Ordem de Santo Inácio. Através de um corpus documental diversificado — que abarca desde as célebres cartas ânuas e tratados jurídicos até manuscritos de botânica médica, astronomia e cartografia — os autores revelam uma “homogeneidade heterogênea”. Nela, a rigorosa formação jesuítica se moldou e se transformou diante das experiências vivenciadas junto aos nativos e às sociedades coloniais.
Esta obra não é apenas um registro sobre o passado; é uma reflexão sobre como o conhecimento foi sistematizado em meio à conquista. Entre a teologia, linguística e a botânica, entre a cartografia e a catequese, os capítulos aqui reunidos demonstram que os jesuítas, ao tentarem traduzir o sertão para o mundo, acabaram por ser profundamente traduzidos por ele.

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